Taquicardia Supraventricular: Tipos, Sintomas e Tratamento

A taquicardia supraventricular é um grupo de arritmias cardíacas que causam frequência cardíaca elevada e súbita. Entenda os tipos mais comuns, como a TPSV e o WPW, quais sintomas apresentam, como o Holter e o eletrocardiograma fazem o diagnóstico e quais são as opções de tratamento, incluindo a ablação por cateter.
Taquicardia Supraventricular: Tipos, Sintomas e Tratamento

A taquicardia supraventricular (TSV) é um grupo de arritmias cardíacas caracterizadas por uma frequência cardíaca anormalmente elevada que se origina acima dos ventrículos — ou seja, nos átrios ou no nó atrioventricular. É uma das arritmias mais comuns, podendo ocorrer em pessoas de qualquer idade, inclusive em jovens sem doença cardíaca estrutural. Apesar de raramente ser fatal em corações saudáveis, a TSV causa sintomas desagradáveis e pode comprometer a qualidade de vida do paciente.

O que Acontece no Coração durante uma taquicardia supraventricular (TSV)?

Em condições normais, o estímulo elétrico que coordena o batimento cardíaco nasce no nó sinusal (no átrio direito), percorre os átrios, passa pelo nó atrioventricular e segue pelos ventrículos, produzindo um batimento organizado e regular. Na taquicardia supraventricular, um circuito elétrico anormal ou um foco ectópico (ponto elétrico em localização incomum) começa a disparar impulsos em alta velocidade, acelerando o ritmo cardíaco de forma abrupta — geralmente de 150 a 250 batimentos por minuto.

As crises de taquicardia supraventricular (TSV) costumam iniciar e terminar de forma súbita, sendo por isso chamadas de “paroxísticas”. O paciente muitas vezes descreve a sensação de que o coração “disparou” de repente e “parou” da mesma forma, após alguns minutos a horas.

Principais Tipos de Taquicardia Supraventricular

Taquicardia Paroxística por Reentrada Nodal (TPRN)

É a forma mais comum de taquicardia supraventricular (TSV), correspondendo a cerca de 60% dos casos. Ocorre quando existe um duplo circuito elétrico dentro do nó atrioventricular, com velocidades de condução diferentes. Esse mecanismo cria um “loop” elétrico que mantém o coração batendo em alta frequência. Acomete principalmente mulheres jovens e adultos de meia-idade sem cardiopatia estrutural.

Taquicardia por Via Acessória (Síndrome de Wolff-Parkinson-White)

Na síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW), existe uma via de condução elétrica anormal que conecta átrios e ventrículos fora do nó atrioventricular. Essa via acessória permite que o impulso elétrico percorra um caminho alternativo, criando o substrato para reentradas e taquicardias. O WPW pode ser identificado no eletrocardiograma (ECG) pelo padrão de pré-excitação ventricular. Em alguns casos, a síndrome de WPW pode causar arritmias potencialmente perigosas, especialmente quando associada à fibrilação atrial.

Flutter Atrial

No flutter atrial, os átrios contraem-se de forma muito rápida e organizada, geralmente a 250-350 batimentos por minuto, enquanto os ventrículos recebem apenas uma fração desses impulsos. É mais frequente em pacientes com cardiopatia estrutural, doença pulmonar ou após cirurgias cardíacas. O flutter atrial aumenta o risco de formação de coágulos e AVC, semelhante à fibrilação atrial.

Taquicardia Atrial Focal

Nessa forma, um foco ectópico localizado em algum ponto do átrio começa a disparar impulsos elétricos em alta frequência, sobrepondo-se ao ritmo normal do coração. Pode ocorrer de forma paroxística ou persistente e está associada a diferentes condições, incluindo uso de certos medicamentos, doença pulmonar e alterações metabólicas.

Sintomas da Taquicardia Supraventricular

Os sintomas variam conforme o tipo de TSV, a frequência cardíaca atingida, a duração do episódio e a presença ou não de cardiopatia de base. Os mais comuns incluem palpitações (sensação de coração acelerado ou “disparado”), falta de ar, tontura ou sensação de cabeça vazia, dor ou pressão no peito, fraqueza e cansaço. Em casos mais graves, especialmente com frequências muito elevadas ou em pacientes com cardiopatia estrutural, podem ocorrer síncope (desmaio) e insuficiência cardíaca.

Diagnóstico da TSV

O diagnóstico definitivo da taquicardia supraventricular exige o registro do ritmo cardíaco durante uma crise. O eletrocardiograma (ECG) convencional pode identificar a TSV quando realizado durante o episódio. No entanto, como as crises são geralmente paroxísticas e imprevisíveis, muitas vezes é necessário recorrer a métodos de monitorização prolongada.

Holter de 24 horas e Monitor de Eventos

O Holter de 24 horas registra continuamente o ritmo cardíaco por um ou dois dias, podendo capturar crises que ocorram nesse período. O monitor de eventos externo (looper externo) é usado quando as crises são mais esporádicas e precisa de monitorização por semanas. Em casos de episódios muito raros, pode ser indicado um monitor implantável subcutâneo (looper interno), que registra o ritmo por até três anos.

Estudo eletrofisiológico

O estudo eletrofisiológico (EEF) é um exame invasivo realizado por eletrofisiologista, no qual cateteres são posicionados dentro do coração para mapear os circuitos elétricos e identificar com precisão o mecanismo da arritmia. É geralmente indicado quando se planeja a ablação por cateter ou quando a TSV é de difícil caracterização pelos métodos não invasivos.

Tratamento da Taquicardia Supraventricular

Manobras vagais e medicamentos na crise aguda

Durante uma crise de TSV, manobras vagais como a manobra de Valsalva (forçar expiração com a boca fechada) ou massagem do seio carotídeo podem interromper o episódio ao estimular o nervo vago e desacelerar a condução no nó atrioventricular. Se as manobras falharem, medicamentos como adenosina ou verapamil administrados por via intravenosa são altamente eficazes para reverter a arritmia.

Tratamento preventivo com medicamentos

Para pacientes com crises frequentes ou muito sintomáticas, o cardiologista pode prescrever medicamentos antiarrítmicos como betabloqueadores, verapamil ou flecainida para uso regular, visando reduzir a frequência e a intensidade dos episódios.

Ablação por cateter: o tratamento curativo

A ablação por cateter por radiofrequência é o tratamento de escolha para a maioria dos tipos de TSV, oferecendo taxas de cura superiores a 95% em centros especializados. O procedimento consiste em introduzir cateteres por punção venosa e posicioná-los no coração para localizar e destruir (por calor ou frio) o tecido responsável pela geração ou manutenção da arritmia. É um procedimento minimamente invasivo, geralmente realizado em regime de internação de curta duração, com baixo risco de complicações.

Quando Procurar um Cardiologista?

Qualquer episódio de palpitações súbitas sugestivo de taquicardia supraventricular, especialmente quando acompanhadas de falta de ar, tontura ou dor no peito, merece avaliação cardiológica. O cardiologista irá investigar a causa das palpitações, diferenciar arritmias benignas de potencialmente perigosas e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.

Para aprofundar seus conhecimentos sobre taquicardias supraventriculares, consulte as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia em arritmias cardíacas.

Na Cardion, realizamos eletrocardiograma computadorizado, Holter de 24 horas e monitor de eventos para investigação completa das arritmias supraventriculares, com acompanhamento especializado pelo cardiologista para garantir o melhor tratamento e qualidade de vida ao paciente. Para aprofundar seus conhecimentos sobre arritmias cardíacas, consulte as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia em eletrofisiologia e arritmias.