Pericardite: O que é, Causas, Sintomas e Como Tratar a Inflamação do Pericárdio

A pericardite é a inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração. Entenda as causas mais comuns, incluindo infecções virais, como reconhecer a dor torácica característica, como o eletrocardiograma e o ecocardiograma fazem o diagnóstico, e quais são as opções de tratamento e prevenção de recorrências.
Pericardite: O que é, Causas, Sintomas e Como Tratar a Inflamação do Pericárdio

A pericardite é a inflamação do pericárdio, a membrana dupla que envolve e protege o coração. Essa condição pode se manifestar de forma aguda, recorrente ou crônica, e sua apresentação mais marcante é a dor no peito — que pode ser confundida com infarto, tornando o diagnóstico correto e rápido fundamental para o adequado tratamento e para evitar complicações graves, como o tamponamento cardíaco.

O que é o Pericárdio e Qual é a Sua Função?

O pericárdio é uma estrutura composta por duas camadas — o pericárdio visceral (que adere ao músculo cardíaco) e o pericárdio parietal (camada externa). Entre essas camadas existe uma pequena quantidade de líquido pericárdico (15 a 50 mL), que funciona como lubrificante e reduz o atrito durante os batimentos cardíacos. Além disso, o pericárdio ancora o coração no mediastino e impede a expansão excessiva das câmaras cardíacas.

Quando o pericárdio se inflama, as duas camadas ficam irritadas e passam a roçar uma na outra a cada batimento cardíaco, gerando a característica dor na condição.

Causas da Pericardite

Na maioria dos casos (60 a 85%), a pericardite aguda é de origem idiopática (causa não identificada) ou viral, sendo os dois termos frequentemente usados de forma intercambiável na prática clínica. Os vírus mais comumente associados incluem o Coxsackie B, o Echovirus, o adenovírus, o vírus influenza e, mais recentemente, o SARS-CoV-2.

Causas identificáveis de pericardite

Além das causas virais/idiopáticas, ela pode ser secundária a diversas condições. As causas bacterianas incluem a tuberculose — importante causa em países em desenvolvimento. Doenças autoimunes como lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide e síndrome de Sjögren podem causar pericardite como manifestação cardíaca. O infarto agudo do miocárdio pode ser seguido de pericardite nas primeiras horas (a forma epistenocárdica) ou semanas após o evento (síndrome de Dressler). Outras causas incluem neoplasias, insuficiência renal avançada (a forma urêmica), uso de medicamentos como anticoagulantes e procainamida, e procedimentos cardíacos invasivos.

Sintomas da Pericardite

Dor torácica: o sintoma principal

A dor torácica da doença tem características muito específicas que a diferenciam de outras causas de dor no peito. Ela é tipicamente aguda (em facada), localizada na região retroesternal ou precordial, com irradiação para o trapézio (músculo do pescoço e ombros) — característica praticamente exclusiva da pericardite. A dor piora com a inspiração profunda, com a posição deitada e com a deglutição, e melhora quando o paciente se senta inclinado para frente (“posição de prece mahometana”). Esse padrão postural é muito sugestivo de pericardite.

Outros sintomas

Frequentemente, a pericardite é precedida por um quadro de infecção viral das vias aéreas superiores (resfriado, gripe) dias a semanas antes. Febre baixa a moderada, mal-estar, fadiga e palpitações podem estar presentes. O atrito pericárdico é um achado clássico na ausculta cardíaca — um som semelhante ao “ranger de couro” que ocorre quando as camadas inflamadas do pericárdio roçam uma na outra.

Complicações: Derrame Pericárdico e Tamponamento Cardíaco

Uma complicação importante da doença é o derrame pericárdico — acúmulo de líquido em excesso no espaço pericárdico. Pequenos derrames são comuns na condição aguda e geralmente não causam sintomas adicionais. No entanto, quando o volume de líquido acumulado é grande e se desenvolve rapidamente, pode ocorrer o tamponamento cardíaco — uma emergência médica em que a pressão do líquido impede o enchimento adequado das câmaras cardíacas, comprometendo gravemente a circulação sanguínea e requerendo drenagem imediata (pericardiocentese).

Outra complicação, menos frequente mas grave, é a a forma constritiva, em que o pericárdio cronicamente inflamado torna-se fibrótico e calcificado, comprimindo o coração e causando insuficiência cardíaca progressiva.

Diagnóstico da Pericardite

O diagnóstico do quadro agudo é estabelecido quando dois ou mais dos quatro critérios clínicos estão presentes: dor torácica típica, atrito pericárdico na ausculta, alterações características no eletrocardiograma, e derrame pericárdico novo ou em piora no ecocardiograma.

Eletrocardiograma (ECG)

O eletrocardiograma é um exame fundamental na avaliação da doença. O padrão clássico inclui elevação difusa do segmento ST (em múltiplas derivações, diferente do padrão focal do infarto), depressão do segmento PR e, nas fases mais avançadas, inversão das ondas T. Essas alterações seguem uma evolução em quatro fases ao longo de dias a semanas.

Ecocardiograma

O ecocardiograma é essencial para avaliar a presença e a quantidade de derrame pericárdico, identificar sinais de tamponamento cardíaco e avaliar a função ventricular. É um exame não invasivo, rápido e altamente informativo para a tomada de decisão terapêutica na pericardite.

Exames laboratoriais

Os marcadores de inflamação, como a Proteína C Reativa (PCR) e a velocidade de hemossedimentação (VHS), estão elevados na pericardite ativa. A troponina pode estar levemente elevada quando há comprometimento do miocárdio adjacente (miopericardite). A investigação etiológica pode incluir sorologias virais, culturas, pesquisa de marcadores autoimunes e, em casos selecionados, biópsia pericárdica.

Tratamento da Pericardite

O tratamento da doença aguda idiopática/viral baseia-se na combinação de anti-inflamatórios. O esquema padrão atual inclui aspirina ou ibuprofeno associado à colchicina. A colchicina, além de potencializar o efeito anti-inflamatório, reduz significativamente o risco de recorrência da pericardite — um dos grandes desafios no manejo da doença.

O repouso físico é recomendado até a resolução completa dos sintomas e normalização dos marcadores inflamatórios, especialmente em atletas e praticantes de exercício intenso. A restrição de atividade física pode durar de semanas a meses, conforme a resposta ao tratamento.

Pericardite recorrente

Cerca de 15 a 30% dos pacientes com pericardite aguda desenvolvem recorrências. Nos casos refratários ou com múltiplas recidivas, novos tratamentos como o anakinra (um bloqueador da IL-1) e o rilonacept têm demonstrado eficácia na prevenção de novas crises.

Quando Procurar um Cardiologista?

Qualquer episódio de dor no peito — seja de início súbito ou progressivo — deve ser avaliado com urgência por um médico, para descartar causas graves como infarto agudo do miocárdio ou embolia pulmonar. A pericardite, embora geralmente de bom prognóstico quando tratada adequadamente, pode apresentar complicações sérias se não diagnosticada e tratada a tempo.

Para informações adicionais sobre pericardite, consulte as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre doenças pericárdicas.

Na Cardion, realizamos avaliação cardiológica especializada, eletrocardiograma computadorizado e ecocardiograma para diagnóstico e acompanhamento da pericardite, com atendimento humanizado e de alta qualidade. Se você apresenta dor no peito ou outros sintomas cardíacos, não hesite em agendar sua consulta. Para mais informações sobre doenças pericárdicas, consulte as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia em pericardites e miocardites.